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Moda

A criatividade de Samuel Cirnansck é um luxo

O nome Samuel Cirnansck está presente no rico mercado de festas de todo o Brasil e faz os corações das noivas baterem mais forte. Inventivo e luxuoso, Samuel fez o seu primeiro vestido aos nove anos, para sua irmã usar em seu baile de formatura, depois vendeu camisetas em feiras e trabalhou com figurinos de teatro e ópera. É daí que vem a relação íntima com os vestidos nababescos. Formado pela Fundação Armando Alvares Penteado e com doze coleções apresentadas na São Paulo Fashion Week, este paulistano conversou com a YAY! Hype Magazine em sua passagem por Teresina, durante a segunda edição da feira Casar Bem, onde desfilou as suas mais recentes criações.
Postado em 1 de maio de 2018 Seja o Primeiro a comentar
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Fotos e Texto Irakerly Filho

Os seus vestidos são verdadeiras joias e, certamente, demandam um tempo para serem lapidados. Como é o processo da criação e a manufatura até o vestido pronto?

Quando eu crio, sempre penso na cliente, onde ela vai usar o vestido. Aí, eu vou atrás do material. Se a roupa é toda bordada, se tem um bordado 3D, se é de cristal, ou se é de flor, ou se é um material novo a ser pesquisado, eu faço esse pout-pourri antes, do material, para depois saber se aquilo atinge o formato que eu quero. Quando é uma renda trabalhada, recortamos a renda e refazemos também. Eu tenho uma coleção que se chama Joia, que são esses vestidos cravejados, onde vemos como uma construção de joias.

Por exemplo, eu fiz uma coleção que, para imitar pele de urso, eu desfiei a seda, cortei em várias camadas em viés e fui recolocando elas uma em cima das outras. O processo de criação é assim. Uma vez fui para Paris e, em uma floricultura, vi um vaso que era todo cravejado com madrepérola. Voltei para o Brasil e fiz a coleção das ninfas, que era toda cravejada com esse material. Eu me inspiro em um vaso bacana, um arranjo de flor, um quadro, um jardim e fico imaginando como aquilo poderia virar roupa.

Tudo é feito no atelier, onde eu mesmo começo o bordado, tenho as bordadeiras e vou desenvolvendo com elas. Quase todas as roupas sou eu que faço. Eu vou para o busto, faço a moulage, faço a modelagem, vou atrás da matéria prima na 25 de março, no Bom Retiro, fuço em todos os lugares que possam ter o material que eu preciso.

Hoje em dia, quais são os desejos das noivas que você veste?

Elas continuam querendo glamour, querendo essa coisa da passarela, do red carpet, essa coisa a mais que a festa e a sensualidade. Quando as mulheres me procuram, elas querem ser representadas como mulheres mesmo, não como dondocas ou uma feminilidade fútil. Elas querem se sentir sexies, fortes, poderosas. Elas querem ter a sua personalidade impressa na roupa. Elas me procuram por causa disso. E querem muita transparência! É algo que a brasileira vai querer por muito tempo ainda.

Quem é a mulher que veste Samuel Cirnansck? Você consegue traçar um perfil?

Geralmente é uma mulher independente, com uma personalidade afirmada, não é uma garota tonta. Ela gosta muito do luxo e ama o seu corpo. É uma mulher decidida. Geralmente são advogadas, são juízas, médicas. Elas têm profissões que impõem o que elas acham.

Qual é o teu grande diferencial na moda para noivas?

Eu acho que o meu diferencial, porque roupa é roupa em qualquer lugar do mundo, é o trabalho que tenho em relação à roupa. Eu gosto de transformar o corpo da mulher. Eu gosto de modificar, gosto de fazer que fique mais alta, com mais cintura, com peito. Isso é a roupa que faz, é a construção da roupa que faz com que eu consiga modelar o corpo da mulher. Em contrapartida disso, acho que consigo incluir a personalidade da cliente na roupa, por mais que ela compre uma peça minha de coleção. Eu virei estilista por conta disso, porque as pessoas falam: “nossa, você acertou exatamente o que eu queria.” Se tem um diferencial, eu acho que é isso.

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Como foi a tua estratégia neste período de crise?

A crise chegou para nós somente este ano, por incrível que pareça. Nos outros anos, as pessoas estavam ainda gastando, não se preocupando com o custo da festa. Mas como temos a reeleição no Brasil, agora as pessoas deram uma freada. Eu tive que demitir alguns colaboradores por conta do Custo Brasil, que ficou caro para todo mundo. Ficou caro ser brasileiro. Mas eu consegui remanejar, escolher materiais mais baratos, similares, trocar a seda por poliéster. A cliente continua querendo o meu trabalho, porém, ela quer um preço mais acessível. Isso faz que continuemos andando sem ter que fechar.

Como você enxerga e responde aos movimentos do Fast Fashion e do See Now, Buy Now?

Eu acho supernecessários esses dois movimentos. O see now, buy now é a sangria desatada do fast fashion. Se já não bastasse termos uma roupa rápida, temos que ter uma roupa para agora. Eles se mesclam um pouco. Se a gente prestar atenção, vivemos isso há anos. Usamos uma roupa que é para bater, uma que é para sair e uma roupa que é para grandes momentos. A roupa para bater é a do fast fashion. Ele só é um pouco avassalador demais por causa do preço. E com o preço baixo, às vezes, você precisa tirar de alguém. Sempre vai ter alguém para pagar a conta do preço baixo. Não existe um único culpado em relação a isso. O mercado em que a gente vive é assim.

Para finalizar, quais são os planos da tua marca para o futuro?

Agora, eu lancei a SCK, que é a marca jovem da Samuel Cirnansck. Não é prêt-à-porter. É outra marca, por meio da qual temos o plano de atingir várias multimarcas em todo o Brasil. Estamos abrindo uma loja no Mega Polo, que é um shopping de atacado em São Paulo, com jeans, camiseta, boné, tênis, sapato, tudo que for necessário para atender à moda do dia a dia. Até mesmo vestido de festa nós temos para vender, que é um cocktail dress. E vamos continuar atendendo as clientes Samuel Cirnansck, fazendo esse serviço de maison e roupa exclusiva, sob medida, que eu gosto muito de fazer. Pretendo continuar com as duas marcas e atendendo esses mercados que são bem distintos, mas têm a mesma cliente.

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