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Espetáculo A Invenção da Maldade, de Marcelo Evelin, estreia mundialmente em Teresina

Selecionado pelo Rumos Itaú Cultural, um dos principais programas de fomento à cultura do país, a peça aborda a condição humana em sua crueldade, como um processo de desumanização. Uma inocência que não conhece sua própria ferocidade, em seu aspecto mítico, diabólico, recorrente na imaginação e na história do mundo.
Postado em 5 de abril de 2019 Seja o Primeiro a comentar
A Invenção da Maldade (2019), de Marcelo Evelin. Foto: Maurício Pokémon/Divulgação
A Invenção da Maldade (2019), de Marcelo Evelin. Foto: Maurício Pokémon/Divulgação

O coreógrafo piauiense Marcelo Evelin, um dos principais nomes da dança no Brasil, também reconhecido internacionalmente, fará em sua cidade natal, Teresina, a estreia mundial do espetáculo de dança A Invenção da Maldade. Contemplada pelo Rumos Itaú Cultural 2017-2018, a peça traz discussões sobre os processos de desumanização e desafios de coexistência, a partir da ideia de civilização e modernidade. A obra foi criada em colaboração com a polonesa Maja Grzeczka, o baiano Márcio Nonato, o italiano Matteo Bifulco, a mineira Rosângela Sulidade, o belga Elliot Dehaspe, os paulistas Bruno Moreno e Carolina Mendonça, o japonês Sho Takiguchi e o dinamarquês Jonas Schnor. Teresina é a primeira cidade a receber a obra, entre os dias 4 e 7 de abril, no CAMPO Arte Contemporânea, seguindo diretamente para Bologna, na Itália; Porto, em Portugal; Berlim e Frankfurt, na Alemanha; Bruxelas, na Bélgica; e Paris, na França.

A coreografia  se constitui como um rito de passagem e de luta, em um agrupamento de corpos que se arriscam no desconhecido, tornando-se vulneráveis a outras lógicas e realidades. Faz uma reflexão sobre a maldade como presença inerente nas relações com o outro, desde o início dos tempos até a atualidade. Como diz o diretor argentino Rodrigo Garcia em um texto escrito sobre uma outra obra de Evelin, Batucada (2014): “Toda matéria está composta de cinquenta por cento de ódio”.

É em torno da fogueira, que existe como invenção da cultura e do convívio há 400 mil anos, que a obra é desenvolvida. A fogueira possibilitou a domesticação da humanidade e dos animais que se acercaram, criando um lugar-situação onde as pessoas passaram a se reunir para se aquecer, comer, contar histórias, celebrar e praticar rituais. Em A Invenção da Maldade, o público novamente se reunirá em sua volta.

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A ação se dá em um espaço cru e horizontal compartilhado com o público, como um convite a uma experiência. Uma configuração com luz direta, corpos desnudos, fogueiras armadas com galhos e troncos, que nunca se acendem, e uma trilha sonora composta por percussão eletrônica e 70 sinos pendurados no teto. “Eles produzem uma espécie de atmosfera flutuante, como o silêncio barulhento de um santuário ou como o vento passando por uma cabana de madeira. São os sons de algo que não está”, descreveu o filósofo Jonas Schnor, escritor e pesquisador na área da performance.

As peças de Marcelo Evelin com sua plataforma Demolition Incorporada, em sua maioria são criadas a partir de imagens que o escapam, que intuem e apontam para algo que não está dado, que não está instituído, como a noção de maldade.  Daí vem o título da obra, que surge de uma memória pessoal: quando Evelin era criança, constantemente criava performances e pequenos shows, dirigindo irmãos e amigos. Certa vez, acendeu uma panela de óleo em chamas atrás de um lençol, para encenar o incêndio de Roma. Sempre que isso acontecia, sua avó dizia: “Vai começar a invenção da maldade!”. Desde lá, a expressão ganhou, para ele, o significado de transgressão, subversão e atravessamento, justamente o que o espetáculo revela.

A Invencao da Maldade_Foto por Maurício Pokemon_2 AInvençãodaMaldade_porMaurícioPokemon_01 AInvençãodaMaldade_PorMaurícioPokemon_02 AInvençãodaMaldade_porMaurícioPokemon_03 A Invenção da Maldade (2019), de Marcelo Evelin. Foto: Maurício Pokémon/Divulgação AInvençãodaMaldade_porMaurícioPokemon_05 Marcelo Evelin. Foto: Maurício Pokémon/Divulgação

Marcelo Evelin

Nasceu no Piauí, é coreógrafo, pesquisador e intérprete. Vive e trabalha entre Teresina e Amsterdam, Holanda. Na Europa desde 1986, trabalha com dança tendo colaborado com artistas de variadas linguagens em projetos que também envolvem teatro físico, música, vídeo, instalação e ocupação de espaços específicos. É criador independente com sua Companhia Demolition Incorporada, criada em 1995, e ensina na Escola Superior de Mímica de Amsterdã, Holanda, onde também orienta estudantes em processos criativos.

Evelin promove workshops e projetos colaborativos no Brasil, para onde retornou em 2006, e em países da Europa, Estados Unidos, África, Japão e América do Sul. No país, atua também como gestor e curador, tendo implantado em Teresina o Núcleo do Dirceu, de 2006 a 2013, um coletivo de artistas independentes e plataforma de pesquisa e desenvolvimento para as artes performáticas contemporâneas. Em março de 2016 abriu, também em sua cidade natal, com a gestora cultural Regina Veloso, o CAMPO, um novo espaço para se pensar, fazer e difundir arte e disciplinas afins, e, como parte dele, o estúdio Demolition Incorporada.

Os seus espetáculos Matadouro (2010) e De Repente Fica Tudo Preto de Gente (2012) foram apresentados em mais de 18 países. Batucada (2014) teve participação de mais de 300 performers de diferentes nacionalidades. Dança Doente, inspirada no universo de Hijikata Tatsumi, coreógrafo Japonês, estreou em maio de 2017 em Bruxelas, com turnê pela Europa, Brasil e Japão.

 

Sobre o Rumos Itaú Cultural

Um dos maiores editais privados de financiamento de projetos culturais do país, o Programa Rumos, é realizado pelo Itaú Cultural desde 1997, fomentando a produção artística e cultural brasileira. A iniciativa recebeu mais de 64,6 mil inscrições desde a sua primeira edição, vindos de todos os estados do país e do exterior. Destes, foram contempladas mais de 1,4 mil propostas nas cinco regiões brasileiras, que receberam o apoio do instituto para o desenvolvimento dos projetos selecionados nas mais diversas áreas de expressão ou de pesquisa.

Os trabalhos resultantes da seleção de todas as edições foram vistos por mais de 6 milhões de pessoas em todo o país. Além disso, mais de mil emissoras de rádio e televisão parceiras divulgaram os trabalhos selecionados.

Nesta edição de 2017-2018, os 12.616 projetos inscritos foram examinados, em uma primeira fase seletiva, por uma comissão composta por 40 avaliadores contratados pelo instituto entre as mais diversas áreas de atuação e regiões do país. Em seguida, passaram por um profundo processo de avaliação e análise por uma Comissão de Seleção multidisciplinar, formada por 21 profissionais que se inter-relacionam com a cultura brasileira, incluindo gestores da própria instituição. Foram selecionados 109 projetos, contemplando todos os estados brasileiros.

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Ficha Técnica 

A Invenção da Maldade – uma peça de Marcelo Evelin/Demolition Incorporada

 

Conceito e Coreografia Marcelo Evelin

Criação e performance Bruno Moreno, Elliot Dehaspe, Maja Grzeckza, Márcio

Nonato, Matteo Bifulco, Rosângela Sulidade e Sho Takiguchi

Design de Som e Direção Técnica Sho Takiguchi

Dramaturgia Carolina Mendonça

Colaboração de pesquisa em filosofia Jonas Schnor

Colaboração Christine Greiner and Loes Van der Pligt

Fotografia e vídeo Maurício Pokemon

Direção de produção Regina Veloso/Demolition Incorporada (Br) and Sofia

Matos/Materiais Diversos (Pt)

Assistência de produção Gui Fontineles

Produção-touring Andrez Guizze + Regina Veloso

Agenciamento e distribuição CAMPO + Materiais Diversos

Co-produção HAU – Hebbel Am Ufer (De), Festival d’Automne à Paris / CND – Centre National de la Danse (Fr),  Mousonturm (De), Kunstenfestivaldesarts (Be) and Teatro Municipal do Porto (Pt)

Apoio – Rumos Itaú Cultural 2017-2018 (Br), MIME School – Academy of Theatre

and Dance (Amsterdam, Nl) e Xing/Live Arts Week (It)

Criação em residência no CAMPO Arte Contemporânea, Teresina-Piauí-Brasil

 

SERVIÇO:

Rumos Itaú Cultural 2017-2018

 

A Invenção da Maldade

Marcelo Evelin/Demolition Incorporada

Estreia

De 4 a 7 de abril (quinta-feira a domingo), às 20h

Ingressos: R$ 10

100 pessoas

Classificação Indicativa: 18 anos

Duração: 75 minutos

Local: CAMPO Arte Contemporânea

Rua Padre José Rego, 2660, São João

Teresina – PI

www.demolitionincorporada.com

www.facebook.com/demolitionincorporada

www.facebook.com/campoartecontemporanea