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Forte Como A Caatinga – Perfil Niède Guidon

Simbolo de resistência e luta, a arqueóloga franco-brasileira conta a jornalista Teresa Raquel Bastos o porquê da sua não-desistência em proteção de um dos maiores tesouros da História da humanidade.
Postado em 2 de outubro de 2017 Seja o Primeiro a comentar
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Texto Teresa Raquel Bastos Foto Irakerly Filho

Quem ouve falar da arqueóloga Niède Guidon já de cara a associa ao Parque Nacional da Serra da Capivara. Isso porque desde os anos 1970, quando sua história se fundiu ao legado do mais antigo Homo sapiens das Américas, ela defende, com unhas e dentes, a manutenção do maior patrimônio cultural do estado, de relevância mundial.

O dinheiro suado, que consegue a conta-gotas (segundo ela, a verba atual garante a cobertura dos gastos do Parque até meados de 2018), emprega mulheres da região em todos os cargos da gestão do Parque, desde vigias das guaritas até atendimento aos turistas. “Após problemas com os funcionários homens, mandei todos embora e botei as mulheres. Elas sabem que os filhos dependem disso, por isso valorizam e não tive problema desde então”, explica.

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Atitudes como essa tornaram a pesquisadora um símbolo de resistência no difícil clima de semiárido e caatinga, biomas dominantes de São Raimundo Nonato. Por ser franco-brasileira, ela é aposentada pelo país europeu e poderia viver lá com todas as regalias de uma cidadã honorária francesa. Mas opta por viver com seus cinco cachorros em uma casa florida ao lado do Museu do Homem Americano, mesmo já cansada, no alto de seus 82 anos, e de uma artrose desenvolvida após contrair zika vírus e chikungunya um ano atrás. A insistência vem do fato de não ter encontrado um substituto (ou substituta, seguindo a linha um tanto feminista adotada na gestão do Parque) e, claro, sua paixão pelo seu principal projeto de vida.

Enquanto aguentar, a arqueóloga garante a sua permanência na linha de frente contra um descaso que chega a ser imoral. É um absurdo Niéde ainda ter que brigar em diversas instâncias governamentais para garantir a sobrevivência de um acervo dessa magnitude, peça importantíssima no quebra-cabeça da história da humanidade que, por acaso, foi encontrada no sul do Piauí. Vida longa à Niède Guidon!

Niède Guidon, em sua casa, no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí. Foto: Irakerly Filho