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From Gazelland!

Noites. Embarque e desembarque. Montação. Flashes! A vida do teresinense Gazelle Paulo é uma grande e rica experiência artística. Radicado há mais de 25 anos nos Estados Unidos, Gazelle é figura certa das cenas da moda, arte e underground nova-iorquina. Fashion Week? Lá está ele. A festa secreta do estilista Marc Jacobs? Ele tem acesso livre. A sua persona é tão plural, que o diretor Cesar Terranova fez um documentário sobre sua vida, o “Gazelle The Love Issue”, lançado em novembro de 2014 e premiado nacionalmente e internacionalmente. Mais que drag-queen, o personagem da nossa entrevista usa o seu corpo como instrumento, obra e estandarte da sua expressão pessoal.
Postado em 16 de maio de 2020 Seja o Primeiro a comentar
Gazelle nas ruas do Soho, em Manhattan. Foto: Irakerly Filho
Gazelle nas ruas do Soho, em Manhattan. Foto: Irakerly Filho

Texto e fotos Irakerly Filho, de Nova York.

Como foi chegar em Nova York, esse turbilhão, vindo de uma cidade tão pacata como Teresina?

Depois de sair de Teresina, eu morei por cinco anos no Rio de Janeiro antes de chegar aqui. Então, eu achava que estava preparado para Manhattan. Foi um novo aprendizado, New York é considerada a capital do mundo e tal expressão não foi dada à toa. É o centro de tudo! Para mim, foi e ainda é fascinante estar aqui.

O que de melhor você aprendeu trabalhando na noite?

O meu aprendizado na noite começou no Rio de Janeiro, e foi uma escola de vida necessária para a minha sobrevivência mundo afora. Desde então, a lição maior foi sempre ser sincero com as pessoas e nunca se envolver com drogas.

Como é ter parte da sua vida retratada em um documentário?

Muito estranho. Uma certa validade surreal que imortalizou a minha pessoa e a personagem Gazelle. O filme “Gazelle The Love Issue”, do diretor paulistano Cesar Terranova, estará aí para sempre, muito mais além do fim da minha vida.

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Há semelhanças entre Teresina e Nova York?

O calor! Quando fica quente, me lembra muito o calor de Teresina.

Você fez uma performance em Recife, recentemente. Como você analisa a sua obra artística?

A performance em Recife foi bem pessoal, como tudo que faço, e envolveu a colaboração do artista americano Scooter LaForge, cujo filme de cinco minutos abriu a apresentação, ele desenhou flores nas minhas costas ao som de uma aria O Dueto das Flores, da ópera Lakmé, de Léo Delibes; no ponto alto/final caio no chão e os balões que eu segurava, que simbolizavam o espírito, e subiram como se fosse um desprendimento do corpo. Tudo funciona com uma linguagem minha, quem entende ótimo, quem não entende… Bem, não sei o que dizer.

Como é o processo da sua “montação”?

Tudo começa com o porquê da montação, se é para uma festa ou ensaio fotográfico, e então para a concepção visual que geralmente começa com a cabeça e vai descendo até os pés. É um processo de styling bem prazeroso com muitas tentativas para se chegar no look final perfeito que me agrade.

Quais os teus planos para o futuro?

Uma vez que essa fase de promoção do filme acabar, quero descansar por uns seis meses… E só então verei o que gostaria de me dedicar.

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GAZELLE – THE LOVE ISSUE (2015), directed by Cesar Terranova.