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Mamãe, bote o meu!

A cozinha piauiense ganhou sua embaixada em São Paulo. Com perfume de cheiro verde, maxixe e paçoca, o Fitó é uma verdadeira experiência sensorial à brasileira.
Postado em 8 de junho de 2018 Seja o Primeiro a comentar
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Texto e fotos Irakerly Filho, de São Paulo

Toda viagem tem um poder transformador em nossas vidas. A história do Fitó, restaurante comandado por Cafira Foz, com uma equipe formada apenas por mulheres, começa assim. Após forte depressão, Cafira saiu em uma busca interior durante um ano sabático e chegou a seu mais puro talento: cozinhar.

Desbravando novos sabores, a chef experimentou a comida tailandesa e vietnamita e teve uma epifania: “eu fiquei muito, muito apaixonada e sentia que era muito familiar para mim também, apesar dela ser do outro lado do mundo”, conta.

Uma das notas da essência maravilhosa dentro da ideia do Fitó é o empoderamento feminino e a acolhida que o lugar propõe a todos que pensem em um local justo e igualitário. Cafira ama estar cercada por mulheres, pois uma mulher, para ela, é uma divindade. “Eu vejo a mulher como algo tão divino e é algo tão sofrido viver essa divindade ainda. O divino ainda assusta muito as pessoas”, filosofa.

O restaurante localizado na rua Cardeal Arcoverde, número 2773, em Pinheiros, tem sua clientela assídua e, dentre eles, muitos piauienses que frequentam diariamente. “Brigam porque eu não abri lá no Piauí. Eu digo “cara, porque a vida é assim”. Eu não consigo explicar esse encantamento que desperta em mim e nos meus clientes”, fala Cafira. “Estou muito feliz. Não sou piauiense de nascimento, sou cearense, mas me criei no Piauí”, conta.

Nos trinques

O Fitó foi pensado em todos os detalhes, desde os pratos, a ambientação e o clima. E claro, tratando-se de Cafira, tudo fugiu do óbvio. “Quando eu falava que eu ia ter um restaurante com viés nordestino, as pessoas tinham a ideia daquela coisa caricata, do acumulador, do ambiente que é cheio de coisas, de penduricalhos e eu queria muito sair disso. Mas como que eu não vou transforma isso em algo caricato e pesado? Eu queria que o Fitó fosse um restaurante que você entrasse aqui e pudesse ser de qualquer lugar do mundo. Que você dissesse ‘Ah, este restaurante podia estar na França, podia estar lá em Teresina’’’, explica. Foi assim que a cearense foi usando elementos do seu imaginário, a começar pela parede chapiscada, que é, realmente, a parede brasileira. “Fiz todo um estudo de fachada em cima do trabalho da fotógrafa Anna Mariani, que fez um livro só sobre as fachadas brasileiras; e o artista Pedro Ivo, de Brasília, fez os azulejos desconstruídos. Eu queria contar essa história a partir do momento que você fosse comendo e olhando para o restaurante. Que a descoberta não fosse de cara, imediata.[m-textos1]  Que o Fitó fosse se desmembrando, que você fosse comendo, olhando e sentindo o Brasil aqui, mas que não fosse um impacto ‘Nossa, que caricato’. O Fitó é uma experiência que vai se desdobrando”, pontua.

“Mais para frente, eu quero trazer artistas, quero muito trazer a Maria da Inglaterra para ficar aqui com a gente um dia, fazer exposição. Aqui nós começamos pela cozinha, mas eu quero expandir esse conhecimento sobre o Piauí. Porque aqui ainda é muito distante você ir ao Piauí. Só se for a negócio ou ir para Barra Grande, que é algo mais turístico. Mas nós temos a Serra da Capivara, Sete Cidades, o Delta. Nós temos tudo no Piauí. Esse trabalho está sendo bom para o estado, eu sinto que vai me trazer mais proximidade com as pessoas, com a terra, eu já tenho, e, aqui, agora, eu consigo conhecer o piauiense”, assegura.

O “de comer”

O Fitó ficou em processo de cozimento durante três anos, quando Cafira começou a cozinhar em casa, e o restaurante seria algo de pequeno porte. “Eu comecei a estudar, a viajar e a cozinhar e, então, surgiu o cardápio”, lembra. Todos os pratos do Fitó são possíveis e bem próximos do nosso paladar do dia a dia, porém com uma abordagem contemporânea. “Eu quis ir muito para a cesta básica brasileira, para as carnes de segunda e trabalhar com o que as pessoas dispensavam. O que no mercado as pessoas passavam direto”, explica Cafira, que teve uma educação alimentar baseada no custo, e, assim, proporcionar uma experiência de mesa. “Foi essa a criação que eu tive, pois eu queria manter um preço acessível, que desse para você sentir a dignidade no ato de comer, que você possa voltar de novo. Comer é um direito adquirido que a gente ainda não pratica”, afirma. Todos os processos da cozinha são feitos artesanalmente, no próprio restaurante, exceto a farinha, que é a próxima meta de ser produzido”, antecipa.

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O “de beber”

O hype entre os drinks é o “Diga, Meu Bem”, um delicioso cocktail a base de rum, chope, suco de limão, geleia artesanal de cajá e hortelã. Aliás, toda a carta tem nomes pescados do dialeto piauiês e faz referências ao nosso folclore. “Eu sou apaixonada pelas lendas do Brasil, em especial, as do Piauí. Eu acho uma babaquice o Halloween, sendo que nós temos tantas lendas tenebrosas e horríveis. A minha bartender, Fran Moreira, não conhecia nada do Nordeste e eu falei “pois, vamos provar tudo”. Daí, fui mostrando as lendas do Piauí para toda a equipe e a partir disso, nós fomos construindo os sabores, pesquisando, abrindo e construindo essa carta em cima de alguns clássicos”, conta. E o ato de beber aqui também é ideologia e é estilo de vida. “Não quero refrigerante, a água tem que ser de graça. É um ato político”, sentencia Cafira.

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 [m-textos1]Não entendi.