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Maria Alcina: confete e serpentina

Sinônimo da alegria, Maria Alcina faz, há 45 anos, o showbizz brasileiro cantar e dançar sucessos carnavalescos enquanto provoca o questionamento: é mulher ou é homem? Redescoberta pela nova geração, Alcina está em um ritmo acelerado de shows, viagens e produção musical. A mineira de Cataguases se prepara para entrar em estúdio para a gravação de um disco apenas com canções de Caetano Veloso. “Tudo começa aí em Teresina, dentro do show Corações Vagabundos. Teresina passou a ser, na minha vida, uma cidade importante.” Conheça os motivos por que sua vida é um eterno carnaval.
Postado em 9 de fevereiro de 2018 Seja o Primeiro a comentar
Maria Alcina. Foto: Sergio Caddah
Maria Alcina. Foto: Sergio Caddah

Você se considera uma pessoa tímida. Como é entrar no mundo da fantasia, que é o palco com a persona de Maria Alcina?

A coisa da persona, a própria profissão vai te dando o amadurecimento para você se desenrolar, se desenvolver e compreender as questões do palco, da fantasia, do público. Para mim, foi a própria dinâmica da profissão, na oportunidade de fazer teatro, e outras coisas que me deram essas referências.

Com as músicas “Eu Quero Botar Meu Bloco Na Rua” e “Maria Alcina Confete e Serpentina” você atualizou as músicas de carnaval dos blocos de rua. Como você sente essa aproximação com a nova geração?

O que nos aproxima da nova geração é a internet, o que fez muito bem. Independente da internet, eu fiquei muitos anos sem gravar. Aí, magicamente, a gravadora Warner relançou os meus dois primeiros LPs (Maria Alcina, de 1972; e Maria Alcina, de 1974), em 2004. Na sequência, eu fui convidada para fazer um show com um grupo chamado Bojo, que tem outro público. O público da internet que eu não conhecia. Eles me convidaram para fazer um show no festival Contradição, no SESC Pompeia, onde juntou a galera nova com a galera que já estava aí. Depois desse show, o tecladista e produtor Maurício Bus Sab me convidou para gravar o disco “Maria Alcina Confete e Serpentina”, música-título que foi feita para mim, e “Eu Quero Botar Meu Bloco Na Rua”, que eles tinham feito no CD deles, mas acharam que estava mais na pegada do meu CD e me passaram. É um encontro de uma nova geração através de um trabalho que já vinha sendo feito. O Alex Antunes, agitador cultural de São Paulo, foi o responsável por esse encontro. Quando ele me colocou em contato com os meninos da banda Bojo, me fez chegar até aqui. Eu sempre o chamo de “meu padrinho”.

Falando em música: do seu repertório, você consegue escolher três favoritas?

Risos. Olha, eu consigo. Eu adoro a regravação de “Alô, Alô”, “Fio Maravilha”, que me lembro de ter gravado de primeira, e “Bate Balaio”, de João Bosco, que gravei com a banda Bojo. Eu gosto de todas as minhas gravações. Todas elas são recheadas de muita emoção.

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Qual a sua cantora favorita?

Eu não tenho uma. Eu tenho todas as cantoras! Principalmente quando estou gravando, escuto um pouco de tudo. Agora estou ouvindo bastante rock para ter a pegada do CD que estou gravando com as músicas do Caetano. O Brasil é uma terra de cantoras. Sempre pego inspiração de Carmen Miranda, de Araci Cortes, de Dalva de Oliveira, Wanderléa, Gal Costa, Maria Bethânia, Núbia Lafayette…

As suas roupas e a sua personalidade a transformaram em um ícone de moda. Com quem você trocaria o seu figurino?

Eu não trocaria. Eu ajuntaria! [risos] Lady Gaga, Cher! Daqui do Brasil, eu tive inspiração na década de 1970 na Gal Costa, na Tropicália. Tem Carmen Miranda, a quem faço homenagem. A Madonna, que sempre tem alguma coisa fantástica. Tudo isso está se traduzindo em moda de rua. Tem as drags, maravilhosas, as transformistas, os Dzi Croquettes, a Elke Maravilha. Não é trocar, é inserir essas pessoas que nos dão informação. Eu gosto muito de moda, de pegar revistas e ver da clássica a mais extravagante. Para mim, é informação. Eu acho que tem uma troca e essa troca se traduz quando eu vou até o Guilherme Rodrigues, que faz as minhas roupas hoje, e me dá uma orientação visual. Tem coisas de moda e maquiagem acontecendo que eu digo “Meu Deus, eu quero tudo isso para mim. Eu quero tudo isso em mim!” [risos] O Dênis (Coulter) me maquiou aqui em Teresina, a quem gostaria de agradecer, que é um talento.

É tudo tão fantástico. Outro dia eu fui ao cinema e tive a sensação maravilhosa de assistir a um filme em 3D, que nunca tinha assistido. Meu Deus, eu fiquei louca! Eu quero isso tudo, a tela vem no seu rosto! Você vê aquelas coisas maravilhosas. Assisti “A Bela e a Fera” em 3D e fiquei doida com aquelas fantasias na minha frente. Tudo isso você traduz na hora em que está cantando. Às vezes, eu posso até estar com uma roupa sem tanto volume, mas dentro de mim está tudo isso.

Qual festa de carnaval foi inesquecível para você?

O carnaval é inesquecível para mim. Sempre foi. Eu acho que o carnaval, desde menina, significa a liberdade. A liberdade da fantasia que eu não tinha, porque tive uma vida muito dura. Mas quando chegava a época do carnaval, começava pelas músicas que já tocavam com antecedência no rádio, a gente já começava a entrar naquele clima. O carnaval, para mim, tem essa sintonia com a liberdade. Socialmente falando, inclusive. O carnaval é a festa da carne, é a festa da liberdade.

Você sofreu censura durante a ditadura militar. Você acha que hoje o mundo está mais careta, ou não?

Eu acho que são mundos diferentes, né? São situações diferentes, o Brasil era outro Brasil. Não dá para falar se está isso ou se está aquilo, porque quando acontece uma censura ou uma inibição, está inserido no contexto do momento que está acontecendo. Foi aquele momento, já passou. Eu não sei se está mais ou se está menos. Para mim, é passado. Hoje sou outra pessoa e estou em outro Brasil.

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Maria Alcina, a sua vida é um eterno carnaval?

Para te dizer a verdade, na parte profissional, sim. Porque, quando falamos de carnaval, está tudo traduzido. O contexto social, o lúdico, o artístico, o trabalho. Numa festa de carnaval está envolvido o trabalho de muitas pessoas. Acho que sim, com certeza, sim. Tanto que eu canto aquela música [começa a cantarolar] “Eu sou Dionísio, deus do vinho e do prazer…”, do compositor Péricles Cavalcante. Minha vida é um eterno carnaval.

PING PONG

Carmen Miranda… Uma inspiração.

Chacrinha… Aaah! É a tradução do meu carnaval!

Jorge Ben Jor… Um sucesso. É o meu sucesso. A música Fio Maravilha fez o Brasil me conhecer.

Inteligência… É um dom.

O carnaval é… [risos] A minha vida! É o meu Dionísio! [risos]

O Tropicalismo é… Todos eles nos dando a régua e o compasso.

O palco… É a tradução da uma intuição que tive. Me dedico sempre a este desafio para o público, que é soberano.