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Reencontro com Zanini de Zanine

O designer carioca Zanini de Zanine tem uma relação bastante próxima com o Piauí, amizade que nasceu com o arquiteto e designer Flávio Franco. Em 2012, Flávio me apresentou a Zanini na primeira visita do artista, quando, na oportunidade, ele lançava a linha de móveis 50 na Villa Objetos. Outros três encontros aconteceram, dois em Teresina e outro, por coincidência, no Rio, e o contato foi se estabelecendo. Em sua mais recente passagem por Teresina, Zanini lançou a coleção de móveis Zina, na Lilia Casa, onde aconteceu o seguinte reencontro.
Postado em 9 de outubro de 2017 Seja o Primeiro a comentar
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Texto e fotos Irakerly Filho

A primeira vez que te entrevistei, em 2012, você estava lançando a linha de poltronas 50, que tem todo um estilo da década dourada. Hoje, cinco anos depois, você lança a coleção Zina, com traços mais finos e retos. Como você avalia essa evolução do seu trabalho?

O interessante é, primeiro, a gente notar que a liberdade é o que mais dita o trabalho que desenvolvo, independente de material, de processo, de linguagem estética. A maior intensão é aprender com todas essas possibilidades. Então, tem até um contraponto interessante que você está exaltando, que há um tempo nós tínhamos essa linha com uma linguagem mais pesada, com estofado, embora estejamos com uma linha esteticamente muito leve, que é o metal fininho. Eu acho que é um pouco dessa vontade de querer aprender, de querer entender os processos que me levaram a uma pesquisa do mobiliário da década de 1950, que era muito usado pelo Karl Haler, que foi um dos grandes designers que usava muito ferrinho. É uma linguagem que considero muito elegante e eu quis resgatar isso, porém, dentro do DNA que já faz parte do meu estúdio.

E das tuas obras, a poltrona Trez (2013) continua sendo a sua favorita ou já mudou de posto?

Não, pela Trez eu tenho um carinho muito grande. Não só pelo resultado do produto, mas também pelas portas que ela me abriu e pode me proporcionar diferentes outros contatos. O bacana é entender que cada peça tem uma contribuição dentro do percurso.

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No livro Zanini de Zanine, você faz um panorama da primeira década do seu trabalho como designer de móveis. Quais foram os resultados alcançados e quais objetivos foram renovados?

Eu nunca botei muito no papel esse tipo de objetivo, para te falar a verdade. O legal é ver que o trabalho tem uma resposta bacana, tem uma resposta interessante pelas parcerias, pelas exposições que apresentamos e que isso evoluiu para outras escalas. Por exemplo, agora estamos começamos a fazer projetos importantes de interiores e, mais recentemente, um projeto externo, ou seja, um projeto completo de um prédio, no Rio de Janeiro, em Ipanema, onde definimos a fachada e o interior.

Chegando neste assunto, este projeto é um marco na sua carreira, pois é um passo tanto de escala quanto de complexidade que você vai realizar. Eu queria que você comentasse como vai ser o Tríade, da Mozak Engenharia, em Ipanema.

Bem observado. De fato, foi um presente que a gente recebeu, principalmente na cidade onde estamos estabelecidos, no bairro que morei e que tenho um carinho muito grande, e que nós tentamos devolver pra cidade o que consideramos o que é agradável, que poderia contribuir para o bairro, pra cidade de uma forma em geral. Nós aplicamos informações e materiais que têm a ver com a nossa linguagem, que têm referências não só à nossa arquitetura, mas ao nosso design e que, de verdade, é um pontapé para possíveis outros projetos. Nós recebemos esse tipo de desafio de uma forma muito aberta.

Quando é a previsão de lançamento dele?

Se não me engano, a construção começa muito em breve. Acredito que daqui a um ano e meio o projeto vai estar pronto. Fica ali, na rua Barão da Torre, na altura do Posto 10.

Como foi apresentar uma série limitada de móveis seu pai, José Zanine Caldas, feitos em ipê de demolição na ArtRio?

Na ArtRio do ano passado, fizemos essa série limitada em ipê e o interessante foi a junção de duas linguagens que eram do meu pai. Nós pegamos desenhos da década de 1950 e aplicamos no material de demolição que foi usado por ele na arquitetura e no mobiliário. Foi o registro de duas fases diferentes em uma linha só.

A crise econômica desencadeada pela crise política atingiu todos os setores. Como foi a adaptação do setor de mobiliário brasileiro a este cenário? 

Essa crise, como todas, teve um lado positivo e outro negativo. Considero que o negativo foi que nós tivemos muitas lojas reduzindo de tamanho, até mesmo desempregando muita gente. O lado bom foi a renovação, não só de estrutura, mas de visão de muitas empresas e marcas que podem usar o design como uma ferramenta de ressurgimento, de retomada. Em nosso estúdio, nós temos uma estrutura muito enxuta, então, não chegou a afetar a gente, até porque prestamos serviços. Mas eu vi que foi não só nesta área, mas em todas. Tivemos que dar passos para trás, mas que estes passos se tornem armas para serem usadas para um salto agora.

Quais são os teus novos projetos? 

Vamos lançar, também pela América Móveis, uma ampliação da linha Zina, com mesa oval, mesa de jantar, mesa de centro, carrinho de chá e uma série de outros itens. Na ArtRio deste ano, nós iremos apresentar uma série limitada do nosso atelier e outras surpresas que só podemos soltar daqui a pouco.